Dar ou não o bico artificial para crianças é um tema amplamente discutido não só na odontologia, mas também na área de nutrição e medicina. De modo geral, há uma grande desinformação sobre o assunto e nas consequências que a chupeta pode trazer ao desenvolvimento infantil.

Muitos são os pais que incentivam o uso da chupeta pelos bebês ainda recém nascidos, replicando os hábitos de criação dos pais e avós. Afinal, qual seria o problema em acalmar o nenê que clama pelo seio da mãe?

A chupeta causa sérios danos aos dentes, músculos e ossos do rosto da criança

Estudos recentes trazem à tona sérios riscos, que vão desde a formação incorreta do maxilar, a deformação da face e posicionamento incorreto dos dentes que ainda nem nasceram, disfunções respiratórias e nutritivas, como também problemas mais profundos ligados ao sono e à ansiedade.

A literatura científica mostra que os hábitos de sucção não-nutritivos (chupeta ou até o dedo) são sim nocivos à saúde da criança e, por isso, devem ser desestimulados ou removidos desde cedo para minimizar os danos.

Veja abaixo algumas das consequências do uso, prolongado ou não, da chupeta:

 

A chupeta interfere negativamente sobre a amamentação

A chupeta pode causar problemas na amamentação

A chupeta não tem o mesmo formato que o bico do seio. Sendo assim, a criança se acostumada com o bico artificial tende a realizar a amamentação natural de forma errada, muitas vezes chegando a machucar o peito da mãe. Além disso, estudos comprovam que chupar chupeta diminui a produção de leite, pois o bebê tende a sugar com menos intensidade o peito.

 

A chupeta prejudica o desenvolvimento da fala, mastigação e respiração

A chupeta deixa a boca da criança flácida e o lábio inferior virado

Há estudos que demonstram alteração no desenvolvimento natural do sistema estomatognático. A criança que utiliza muita chupeta, por exemplo, pode começar a mastigar de forma unilateral (de um só lado da arcada) e vertical, quando o correto seria de maneira alternada e bilateral (com os dois lados da arcada).

O estímulo à mastigação errada faz com que a mandíbula e estruturas do rosto possam ser desenvolvidas de forma errada.

 

A chupeta altera a forma da boca e a sua tonacidade

Não é raro encontrar crianças com a boquinha virara para fora, especialmente o lábio inferior. Saiba que o lábio evertido e flácido também pode ser consequência do uso da chupeta. Junto a esse efeito, o lábio superior tende a ficar encurtado, o queixo enrugado e as bochechas caídas – dependendo da sucção da criança. Ou seja, pode alterar toda a fisiologia do rosto da criança, que terá que passar por um período de tratamento ortodôntico para corrigir.

 

A chupeta faz os ossos do rosto se desenvolverem sem harmonia

A chupeta pode alterar a estrutura dos ossos do rosto

O uso do bico artificial pode também acarretar em estreitamento na arcada e devios nos ossos nasais (desvio de septo). Em consequência, as funções de mastigação, deglutição, fala e respiração são prejudicadas, levando, mais tarde, a problemas como rinite, sinusite, amigdalite, entre outras. Ou seja, a estética e fisiologia são alteradas.

 

A chupeta provoca a mordida aberta, mordida cruzada e dentes saltados para frente

Pesquisas na área apontam que crianças que usam bicos têm 12 vezes mais chances de desenvolver estes tipos de problemas do que aquelas que não usam ou usaram. Mais de 70% delas que usaram chupeta apontam algum tipo de maloclusão.

 

A chupeta provoca a respiração bucal

Diante de tantas transformações na estrutura óssea e na boca da criança que a chupeta pode causar, a respiração pela boca é a consequência mais visível. Pode parecer inofensivo, mas a respiração pela boca pode levar a muitas patologias respiratórias. A respiração natural, feita pelo nariz, tem o poder de filtrar impurezas, aquecer e umidecer o ar que colocamos para dentro.

Crianças que usam chupeta tendem a respirar pela boca

Além disso, o desenvolvimento como um todo pode ser comprometido: problemas na fala, no sono (como o bruxismo – ato de ranger os dentes enquanto dorme), problemas na postura, disturbios de ansiedade e dificuldade de aprendizagem.

 

Pense duas vezes ao inserir a chupeta na rotina do bebê

Chupar o dedo é natural e não é pior que chupeta

– O dedo não é pior que a chupeta: embora ainda o ato de sugar o dedo cause modificações no desenvolvimento da arcada e dos dentes, por ter calor, cheiro e textura ainda assim se assemelha mais ao seio da mãe. Outro fato importante é que natural da criança por o dedo na boca desde o útero da mãe. Durante o período de nascimento dos dentes, quando há maior desconforto, a criança tende a aliviar o incômodo com a mão na boca. Nesta fase, é interessante proporcionar outros estímulos como alimentos de consistência dura ou até mordedores. Trocar o dedo pela chupeta, nesse momento, não é o mais aconselhável.

– A chupeta cria um hábito de difícil remoção: ela pode causar uma dependência na criança, já que a amamentação natural não foi suprida. Efeitos psicológicos e traumas podem surgir na hora de abandonar o hábito de chupar chupeta. Nesta fase, possivelmente a criança irá compensar a falta do bico chupando o dedo, roendo as unhas, entre outros.

– Não há chupeta no mundo igual ao bico do peito: os bicos artificais, por mais modernos que aparentam ser, não são comparáveis ao seio da mãe. As diferenças são grandes na textura, na forma e na posição em que se encaixam na boca do bebê. Causam todos os danos citados acima pela chupeta não se adaptar ao formato da cavidade bucal – ao contrário do bico do peito, que é infinitamente mais elástico e adaptável.

– Os bicos ortodônticos podem produzir mais movimentos incorretos: embora sejam menos nocivos às alterações dentárias, ainda assim deixam a ponta da língua mais baixa e o corpo dela mais levantado, acarretando em problemas posturais e deglutição incorreta, percebidos futuramente.

– A chupeta de látex pode trazer danos à saúde: durante a fabricação da chupeta, algumas substâncias são adicionadas ao látex para dar elasticidade ao produto. Tais compostos em contato com a saliva podem ser voláteis e trazer riscos à saúde.

 

Cuidados extras com a saúde bucal do bebê e da criança

É preciso limpar a boca do bebê desde a primeira mamada

Utilizando chupeta ou não, alguns cuidados são essenciais para garantir uma boa saúde bucal da criança no futuro:

  • Após amamentar, é importante a mãe realizar uma limpeza na gengiva do bebê com uma gaze umidificada, desde a primeira vez.
  • As frequentes idas ao dentista são igualmente importantes para os bebês. Recomenda-se um acompanhamento desde os 6 meses de idade ou quando saírem os primeiros dentinhos.
  • A escovação pode e deve ser introduzida na vida cotidiana da criança assim que o primeiro dente tiver nascido.
  • É recomendado o uso de pasta dental sem flúor para escovação em crianças pequenas. O flúor, se engolido, pode trazer algumas complicações gástricas aos pequenos.
  • Introduza uma alimentação natural desde cedo, com muitas frutas e legumes. Estes alimentos não só nutrem como servem como adstringentes naturais, removendo os alimentos que ficam presos aos dentes e podem levar às cáries.
  • Evite incentivar o consumo alimentos industrializados: eles contêm uma grande proporção de açúcar que também podem levar às cáries infantis.

 

Diagnosticando problemas ortodônticos desde cedo

Mesmo com poucos dentes de leite ou permanentes, é possível identificar alguns problemas ortodônticos que podem ter sido causados pelo uso da chupeta. Alguns sinais podem ser evidentes, como quando:

  • os  dentes da frente não se tocam;
  • a arcada superior é muito estreita e fechada;
  • ocorreu perda precoce dos dentes de leite devido à cáries ou tombos;
  • os dentes superiores cobrem os inferiores muito mais do que o normal;
  • o queixo está muito para a frente ou o inverso disto;
  • a criança respira mais pela boca do que pelo nariz (o correto é a respiração nasal);
  • a criança dorme com a boca predominantemente aberta;
  • a criança apresenta olheiras profundas.

A primeira visita da criança ao ortodontista deve ser quando a maioria dos dentes permanentes nascerem

Nestes casos, é muito importante um diagnóstico feito por um ortodontista para projetar o início do tratamento o quanto antes. A idade ideal para fazer essa consulta é aos 7 anos, como explica o Dr. Claudinei, responsável técnico pela área de Ortodontia da Odontoquality. Ele explica que, com esta idade, a criança já realizou grande parte da troca dos dentes de leite pelos permanentes. A posição das arcadas dentárias nesta fase já dá uma boa amostra da forma definitiva que terão na idade adulta, afirma Dr. Claudinei.

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